
Bem, cada partido deve ter lá seus cinco por cento de pessoas dignas, capacitadas, mas nunca as veremos reunidas numa mesma agremiação. A banda limpa não é um fenômeno ideológico, mas estatístico. As pessoas são como são, e fazem o que fazem, com base em duas variáveis: o que têm a ganhar e o que têm a perder.
O resto é um baile de máscaras. Arlotões, javardos, labregos e lambuças surgem no vídeo como figuras da mais alta relevância. No plano internacional, arre! Nunca antes neste planeta a coisa esteve nivelada tão por baixo como agora. Bush, Chávez, Lula, Berlusconi, Putin, a lista vai longe. No tempo do forde-de-bigode, acredita Leo Vázquez, esses sujeitos não dariam nem para zapatero do rei Juan Carlos I. Não se refere ao sangue azul, diga-se, mas à postura pública e à qualidade intelectual.
No Brasil, há pelo menos vinte anos (uma geração) tucanos e petistas disputam a rapadura. A diferença entre eles é mais ilusória do que real. Torrar empresas estatais a preço de banana ou, ao contrário, mantê-las para abrigar cupinchas, povoar de aspones, são ambas formas de rapinagem, direta ou indireta. Quando ouço petistas e tucanos trocando farpas ou insultos, recordo Alain-Fournier: “O que os partidos políticos dizem uns dos outros é justamente o que eu penso de todos eles”.
Daqui a alguns meses, eleição. E aquele dilema, de novo. Chega uma hora que cansa essa história de ter de votar sempre no menos pior. Recordo-me do quanto a gente torcia (só isso, no meu caso) nos anos negros para que prevalecesse um general menos linha-dura. Sabendo, no fundo, que tudo aquilo era a mesma porcaria.
Não é de admirar que os jovens de hoje estejam tão descrentes da política. Eu não saberia o que dizer a eles. Mas Leo Vázquez acha que os jovens deviam fazer, tipo assim, um panelaço (que nem na Argentina) pelo voto voluntário. Quem sabe fosse o começo de algo novo. Ao menos depois poderiam dizer que isso não havia sido feito nunca antes neste país.